A história política do então médio norte goiano, hoje norte de Goiás, guarda capítulos de pura engenharia administrativa, mas poucos são tão impressionantes quanto o desfecho do ano de 1957 em Porangatu. Naquele período, o município que dava seus primeiros passos após a emancipação em 1948, assistiu à ascensão de Euzébio Martins como o segundo prefeito eleito pelo voto popular. Longe do aparato tecnológico dos dias atuais, o novo chefe do Poder Executivo assumiu o desafio de guiar uma cidade em expansão contando com uma estrutura humana quase simbólica: o apoio da maioria dos vereadores da Câmara de Porangatu e uma equipe de apenas seis operários e servidores públicos. Era o início de uma gestão que transformaria a escassez em um legado de solidez fiscal e infraestrutura sem precedentes no interior do Estado de Goiás.
Se a política moderna frequentemente lida com o fantasma das contas no vermelho, a administração de Euzébio Martins tornou-se um case histórico de responsabilidade financeira. Ao assumir o cargo, o prefeito encontrou um caixa municipal modesto, que somava exatos 900 Cruzeiros. Quatro anos depois, ao transmitir a faixa e as chaves do município ao seu sucessor, Martins protagonizou um feito que ecoa até hoje nos anais do Legislativo local: devolveu a prefeitura com a impressionante quantia de 83 mil Cruzeiros depositada nos cofres públicos. Esse salto financeiro não foi fruto de estagnação, mas sim de uma matemática rigorosa que priorizava o desenvolvimento local sem endividar as gerações futuras de porangatuenses.
Mais do que acumular capital, a gestão de 1957 carimbou o passaporte de Porangatu rumo à modernização urbana e jurídica. Foi sob o comando de Euzébio Martins que a cidade viu a conclusão definitiva do prédio da Prefeitura e a histórica construção do Fórum local, consolidando a autonomia dos poderes na comarca. Com uma visão expansionista e de longo prazo, o prefeito liderou a aquisição estratégica de 100 alqueires de terra, área fundamental que permitiu o nascimento e o planejamento da chamada “Cidade Nova”. Para pavimentar e abrir os caminhos desse novo perímetro, o município investiu na compra de maquinário pesado de ponta para a época, adquirindo um trator de esteira TD-9 e um caminhão GMC zero quilômetro, símbolos do progresso que rasgava o solo goiano.
No entanto, o verdadeiro alicerce do governo Martins foi fincado onde o poder público mais se fazia necessário: no interior. Compreendendo que o crescimento urbano dependia umbilicalmente da força do campo, o prefeito liderou uma verdadeira cruzada educacional ao criar e espalhar diversas escolas pela zona rural de Porangatu. Essa interiorização do ensino não apenas alfabetizou os filhos dos produtores locais, mas fixou o homem na terra e preparou o município para as décadas de pujança agrícola que viriam a seguir. Esta autobiografia, que agora vem a público, resgata a memória de um líder pioneiro e presta uma justa homenagem a um homem que, com apenas seis funcionários e uma vontade inabalável, provou que a grandeza de uma cidade se constrói com honestidade, visão de futuro e pés fincados na realidade do seu povo.
Departamento Comunicação
Câmara Municipal de Porangatu
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